quinta-feira, 1 de março de 2012

Mil Maneiras


Catedral

Clarear

Paisagens

Mergulhar

Ir bem fundo

Prá te encontrar

Sem miragens

Poder então acreditar...



Viajar

Sem fronteiras

Te mostrar

Tudo aquilo

Que eu gostar

Mil maneiras

Sentir o mundo

Respirar...



Poder viver

Com alegria

E sem ter medo

De falar

No coração

A poesia

A verdade

Vai me abraçar...



Num lugar

Bem tranquilo

Nesse mar

Verde musgo

Do teu olhar

Para sempre

Eu sei que vou

Me encontrar...

catedral
Denise barsbosa

josé

JOSÉ




E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?



Carlos Drummond de Andrade

Denise Barbosa

Fernando Pessoa

O Amor




O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.



Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de *dizer.

Fala: parece que mente

Cala: parece esquecer



Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

Pr'a saber que a estão a amar!



Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!



Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar..



Fernando Pessoa
Denise Barbosa de Souza
                                     AS PROFESSORAS PIRA!


A professora pergunta para o aluno.

01.Qual a funcão do apóstrofo?
Apóstrofos são os amigos de Jesus, que se juntaram ,naquela jantinha que o Michelângelo fotografou.


Raquel miranda Rocha

Manuel Bandeiras

RENÚNCIA


Chora de manso e no íntimo... procura

Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:

O mundo é sem piedade e até riria

Da tua inconsolável amargura.



Só a dor enobrece e é grande e é pura.

Aprende a amá-la que a amarás um dia.

Então ela será tua alegria,

E será ela só tua ventura...



A vida é vã como a sombra que passa

Sofre sereno e de alma sombranceira

Sem um grito sequer tua desgraça.



Encerra em ti tua tristeza inteira

E pede humildemente a Deus que a faça

Tua doce e constante companheira...

Manuel Bandeiras
Denise Barbosa de Souza





     Vinho

Eu queria você
Com a praia
No quebrar das ondas
Uma lua bonita
De luz diáfana
Um som de violão
E um bom vinho
Porém, se o mar secasse
O violão se quebrasse
E o vinho fosse derramado
Você seria suficiente
Núbia Paiva
 
 
 
 
                                        Valdilha Alves 
    No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.






 Carlos Drummond de Andrade



                                                  Valdilha Alves